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SEMANA DA CARIDADE COM A CASA ESPÍRITA

“A caridade é a virtude fundamental que deve sustentar o edifício das virtudes terrenas; sem ela, as outras não existiriam…”
Allan Kardec – ESE. cap. XIII – item 12

Queridos Amigos

Quando adentramos a Casa Espírita, sempre desejamos ser acolhidos com amor, carinho, respeito, solidariedade e acima de tudo com a caridade tão ensinada e exemplificada pelo Mestre; e é isso mesmo que deve existir na Casa Espírita, pois sendo ambiente frequentado pelos seguidores do Cristo, é este o comportamento que deve guiar todos aqueles que se apresentem como seus colaboradores.
Contudo, a melhor maneira de praticarmos a caridade para com nossa Casa Espírita é exercendo com fidelidade e responsabilidade nossas atividades de assistência, auxílio e acolhimento, não apenas para com aqueles que nos procuram para o atendimento fraterno, mas também e principalmente, para com o colega de trabalho e de ideal, pois é na união que nos fortalecemos.
Dos dias 28 de abril a 01 de maio, aconteceu na cidade de Franca/SP, o 15º Congresso Estadual de Espiritismo onde fomos exortados à prática e à vivência do acolhimento e da solidariedade.
Jesus disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, oferecendo desta forma, o acolhimento irrestrito para todos aqueles que o busque.
Acolhamo-nos, então, uns aos outros os Trabalhadores da Nova Era, para que juntos, possamos acolher aos sobrecarregados do caminho, orientando-os e conduzindo-os para os braços amorosos do Divino Mestre.

Texto do Evangelho para a semana: Capitulo XIII – item 15

O EXAME DA CARIDADE

Em populosa cidade do Brasil, os três amigos, Ribeiro, Pires e Martins, inspirados no Espiritismo consolador, fundaram prestigioso núcleo doutrinário, exclusivamente consagrado a estudos da caridade cristã.
Expressivo número de companheiros se lhes agregaram ao ideal e entidades amigas, através de médiuns devotados à Causa, se revelaram simpáticas, ao trabalho que se propunham desenvolver, colaborando brilhantemente para que a melhor compreensão do Evangelho reinasse no grupo; dentre elas, salientava-se a benfeitora Custódia, que tomou a si o encargo maternal de orientar os três companheiros que haviam entrelaçado esperanças e aspirações, em torno da redentora virtude.
Irmã Custódia ensaiava as mais belas tarefas verbais, na condição de iluminada instrutora; e Ribeiro, Pires e Martins completavam-lhe a obra, proferindo comentários luminosos, junto à comunidade acolhedora.
Livros edificantes eram interpretados com inimitável brilho.
A protetora invisível aos trabalhadores encarnados rejubilava-se, feliz. Explicava-nos, exultante, que encontrara, finalmente, uma sementeira promissora, que lhe dava direito à mais ampla expectativa. A caridade, ali, seria, a breve tempo, árvore abençoada e frondosa, resultando em fonte para sedentos, mesa farta aos famintos e refúgio calmo aos sofredores.
Conferências evangélicas multiplicavam-se em admiráveis torneios oratórios. Cada irmão na fé, amparando-se, sobretudo, nas convicções dos três fundadores, incansáveis nas preleções reconfortantes, era portador de observações fraternas e convincentes.
Avizinhando-se o décimo aniversário da instalação, Custódia, a benfeitora, pediu que fizessem orações comemorativas, especiais.
As irradiações da caridade do Alto visitariam os três pilares humanos daquela obra divina e, por isso, convidava o trio a solenizar o acontecimento com palavras de louvor ao Mestre dos mestres.
Ribeiro, Pires e Martins exultaram de contentamento. Combinaram pronunciar três palestras diferentes, no dia indicado. Um deles falaria sobre o tema “Caridade e Humanidade”, o segundo discorreria sobre “Caridade e Iluminação” e o último sobre “Caridade e Harmonia”.
Chegada a noite de paz e luz, no templo ornado de flores, a trindade orientadora encantou os ouvintes com as suas dissertações renovadoras e inspiradas.
A mentora espiritual da casa comunicou-se, através de conceitos construtivos e comoventes, esclarecendo que, por haver reservado pequena tarefa para si mesma, durante as horas próximas, tornaria ao agrupamento na semana seguinte, de maneira a apreciar os júbilos (alegrias) da efeméride (notícia) com a desejável amplitude.
E a notável sessão foi encerrada com indisfarçáveis sensações de ventura no espírito coletivo.
Ribeiro, Pires e Martins, não cabendo em si de contentes, evitaram o bonde, para melhor se entregarem à conversação íntima e longa, no retorno ao ambiente doméstico. Não haviam caminhado um quilômetro, quando foram defrontados por uma senhora de humilde expressão. Não se lhe viam os traços fisionômicos, com suficiente nitidez, mas os pés calçados pobremente, a roupa modesta e limpa e o xale escuro infundiam-lhe dignidade venerável.
Abordou-os, franca e reverente:
–Senhores! ajudem-me, em nome da caridade! Estou sozinha e é mais de meia-noite…
Tenho trabalho urgente em povoado próximo, entretanto, na posição em que me vejo, sou desconhecida na cidade.
E, em tom súplice, acentuou:
– Qual dos três me concederá um abrigo até manhãzinha? Somente até o nascer do Sol…
Os cavalheiros entreolharam-se, assustadiços. Ribeiro, constrangido, manifestou-se, hesitante:
– Infelizmente, não posso. Minha mulher não compreenderia. Pires, encorajado, ajuntou:
– Eu também sinto dificuldade. Sem dúvida, estou pronto a praticar o bem; contudo, a senhora, apesar de credora de todo o meu respeito, é mulher, e meus vizinhos não me perdoariam, notando-lhe a presença, junto de mim…
Martins, por último, falou, firme:
– Por minha vez, nada posso fazer. Realmente não sou um homem sem lar. Minha família, entretanto, não entenderia a concessão que a senhora está pedindo. Aliás, não é mesmo razoável o que solicita a uma hora destas…
Não posso arriscar…
Enorme silêncio abateu-se, ali, sobre os quatro, mas Ribeiro lembrou que se cotizassem, oferecendo-se-lhe um leito, por algumas horas, num hotel barato. Cada qual ofereceu cinco cruzeiros e a senhora afastou-se, com palavras de agradecimento.
Acontece, no entanto, que nem Ribeiro, nem Pires, nem Martins conseguiram repousar. Preocupados com o incidente, ergueram-se, antes do amanhecer, e encontraram-se, infinitamente surpreendidos, à porta da pensão modesta que haviam indicado à forasteira. Algo lhes feria a consciência e o coração. Desejavam saber como havia passado a senhora que lhes dirigira a palavra com tão grande confiança e intimidade. Não conseguiram, porém, a mínima notícia, até que, na reunião da semana seguinte, consoante a promessa que formulara, Custódia apareceu e, muito bem humorada, através do médium, explicou ao trio assombrado:
– Sim, meus amigos, aquela senhora era eu mesma.
Com a graça de Jesus, materializei-me, em plena rua, a fim de examinar-lhes o progresso em matéria de caridade.
Reparei que para vocês ainda é muito difícil abrir a porta do lar. Mas, se com dez anos de estudo, puderam desatar a bolsa e ceder quinze cruzeiros, sentir-me-ei muito feliz se conseguirem abrir o coração ao verdadeiro amor fraterno, daqui a cem anos…
Sorriu, expressivamente, embora um tanto desapontada, e rematou:
– O essencial, porém, é não interromperem, de nenhum modo, o estudo e o trabalho na direção do Alto…
Não há motivo para desânimo!
Vamos continuar.

Do livro “Contos e Apólogos”.
Irmão X.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

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